
Especialista explica os cuidados necessários para manter a saúde após a doação e destaca a importância do acompanhamento dos níveis de ferro
O mês de junho é marcado pela campanha Junho Vermelho, que busca conscientizar a população sobre a importância da doação de sangue. O gesto pode salvar vidas e é fundamental para manter os estoques dos hemocentros abastecidos, mas também levanta uma dúvida comum entre os doadores: a doação de sangue pode causar deficiência de ferro?
A resposta é que, embora a doação seja segura e realizada dentro de critérios rigorosos, ela provoca uma perda temporária de ferro no organismo. Isso acontece porque o mineral faz parte da composição da hemoglobina, proteína presente nos glóbulos vermelhos responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos.
De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, a maioria das pessoas consegue repor naturalmente essa perda ao longo do tempo. No entanto, alguns grupos merecem atenção especial, especialmente aqueles que já apresentam estoques reduzidos de ferro ou possuem maior necessidade desse nutriente.
“A cada doação de sangue, o organismo perde uma quantidade significativa de ferro. Em indivíduos saudáveis, essa reposição costuma ocorrer gradualmente por meio da alimentação e dos mecanismos naturais do corpo. Porém, mulheres em idade fértil, doadores frequentes, gestantes e pessoas com dietas restritivas podem apresentar maior risco de desenvolver deficiência de ferro”, explica o especialista.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum no mundo e a principal causa de anemia. Estima-se que cerca de 30% das mulheres em idade reprodutiva apresentem anemia globalmente, sendo a carência de ferro um dos fatores mais frequentes.
Estudos publicados na revista científica Transfusion mostram que doadores frequentes de sangue apresentam maior probabilidade de desenvolver estoques reduzidos de ferro quando comparados à população geral. A condição nem sempre provoca sintomas imediatos, mas pode evoluir ao longo do tempo.
Entre os principais sinais de deficiência de ferro estão cansaço persistente, fraqueza, dificuldade de concentração, queda de cabelo, unhas frágeis, palidez e redução do desempenho físico. Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos ao estresse ou à rotina intensa, o que pode atrasar o diagnóstico.
No Brasil, a Fundação Pró-Sangue destaca que homens podem doar sangue até quatro vezes por ano e mulheres até três vezes por ano, justamente para permitir que o organismo tenha tempo suficiente para se recuperar entre as doações.
Segundo Dr. Carlos, isso não significa que as pessoas devam deixar de doar sangue. Pelo contrário. O mais importante é que o doador mantenha hábitos saudáveis e acompanhamento médico quando necessário.
“A doação de sangue é um ato seguro e extremamente importante para a sociedade. O que recomendamos é atenção aos sinais do corpo e, em casos específicos, avaliação médica para verificar os níveis de ferro e a necessidade de medidas complementares para manter a saúde em dia”, afirma.
Uma alimentação equilibrada, rica em fontes de ferro, pode contribuir para a reposição do mineral. Carnes, vísceras, feijões, lentilhas, vegetais verde-escuros e alimentos associados à vitamina C ajudam a melhorar a absorção do nutriente. Em algumas situações, a suplementação pode ser indicada pelo profissional de saúde.
Durante o Junho Vermelho, o médico reforça que doar sangue continua sendo um gesto essencial de solidariedade. Ao mesmo tempo, cuidar da própria saúde é fundamental para que o doador possa continuar contribuindo de forma segura ao longo dos anos.

