Cansaço persistente, falta de energia e dificuldade de concentração podem estar relacionados a diferentes condições; especialista explica a importância de buscar avaliação profissional
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, o debate sobre depressão ganha espaço e ajuda a chamar atenção para sintomas que muitas vezes são negligenciados. Entre eles estão o cansaço, a falta de energia, alterações na concentração e a perda de interesse por atividades cotidianas. No entanto, manifestações semelhantes também podem aparecer em outras condições de saúde, como a deficiência de ferro e a anemia, reforçando a importância de uma avaliação adequada antes de atribuir os sintomas a uma única causa.
A anemia é uma condição caracterizada pela redução da quantidade de hemoglobina no sangue, comprometendo o transporte de oxigênio para os tecidos. A deficiência de ferro é uma de suas principais causas e pode provocar sintomas como fadiga, fraqueza, tontura, falta de ar, palidez, dor de cabeça e dificuldade de concentração.
De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, a semelhança entre alguns sintomas não significa que as condições tenham a mesma origem. “Cansaço e falta de energia são manifestações que podem estar presentes em diferentes situações clínicas. Por isso, quando são persistentes ou começam a interferir na rotina, é importante investigar o quadro de forma individualizada, em vez de tentar identificar sozinho a causa”, explica.
No caso da depressão, além da falta de energia, podem aparecer sintomas emocionais e comportamentais, como tristeza persistente, perda de interesse ou prazer nas atividades, alterações no sono e no apetite, sentimentos de culpa ou inutilidade e dificuldade de concentração. A combinação, intensidade e duração dos sintomas são importantes para a avaliação clínica.
Já na deficiência de ferro e na anemia, os sintomas estão relacionados à menor disponibilidade de ferro e, em alguns casos, à redução da capacidade do sangue de transportar oxigênio. A investigação pode envolver avaliação clínica e exames laboratoriais, que ajudam o profissional de saúde a identificar a presença e a causa da deficiência.
“É importante lembrar que uma pessoa pode apresentar mais de uma condição simultaneamente. Um quadro de anemia não exclui a possibilidade de depressão e vice-versa. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para que cada causa seja investigada e tratada adequadamente”, destaca Dr. Carlos.
Alguns grupos apresentam maior atenção para deficiência de ferro, entre eles mulheres em idade fértil, gestantes e crianças. Perdas de sangue, aumento das necessidades nutricionais, ingestão insuficiente de ferro e problemas relacionados à absorção do mineral estão entre os fatores que podem contribuir para a deficiência.
A alimentação também exerce papel importante na manutenção dos níveis de ferro, mas, diante de uma deficiência já identificada, somente aumentar o consumo de alimentos ricos no mineral pode não ser suficiente em todos os casos. A necessidade de suplementação deve ser avaliada por um profissional de saúde, assim como a dose, a duração do tratamento e a necessidade de acompanhamento por exames.
Outro ponto importante é não normalizar o cansaço constante. “Sentir-se cansado ocasionalmente faz parte da rotina, mas quando a fadiga persiste, vem acompanhada de outros sintomas ou representa uma mudança significativa no funcionamento habitual da pessoa, é um sinal de que algo precisa ser investigado”, afirma o médico.
No contexto do Setembro Amarelo, a recomendação também é não ignorar sinais de sofrimento emocional. Pessoas que apresentam tristeza persistente, perda de interesse pelas atividades, isolamento, desesperança ou pensamentos relacionados à morte devem procurar ajuda profissional. Em situações de risco imediato, é importante buscar atendimento de emergência ou acionar os serviços de apoio disponíveis.
Mais do que tentar diferenciar anemia e depressão apenas pelos sintomas, o principal alerta é entender que cansaço persistente não deve ser banalizado. A avaliação profissional permite investigar possíveis causas físicas e emocionais e direcionar cada paciente para o cuidado adequado.
